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31 de Maio de 2020

Alice Aquino: a feroz determinação da jovem advocacia

Comunidade Jusbrasil
Publicado por Comunidade Jusbrasil
há 6 meses

Este conteúdo faz parte da missão da nossa Comunidade: Responder todas as questões jurídicas. Ainda não conhece a Comunidade Jusbrasil? Saiba mais sobre como ajudamos o Brasil a ser um país mais justo.

Sempre fui muito teimosa, mas isso acabou me tornando uma pessoa muito determinada. Recebi inúmeros nãos na vida (podem acreditar, foram muitos mesmo), as pessoas duvidaram da minha capacidade de me tornar advogada.

A advogada Alice Aquino nasceu em Guarulhos, São Paulo, e tem 23 anos. Ela é especialista em cobrança de dívidas e negociação de débitos e está fazendo pós-graduação em Direito Civil e Processo Civil. Confere a entrevista que fizemos com ela!


O que te fez optar pela carreira jurídica?

Sempre fui indecisa quanto a qual profissão escolher, pensei em diversos cursos. Em um momento pensei em jornalismo, em outro pedagogia, passei a gostar de turismo e me acomodei em moda (cheguei a desenhar modelos inclusive). Entretanto, o único curso que dizia que jamais faria era justamente Direito. Pensava que era um curso chato e se escolhesse ser advogada não seria interessante, eu queria algo que fizesse meus olhos brilharem. Só que tudo mudou quando entrei no meu primeiro estágio em uma vara de família do fórum da cidade quando estava no ensino médio, ali percebi que não era chato como pensava e poderia ter um futuro na área (obviamente “paguei com a língua”). Descobri que poderia continuar no cartório em que estava como estagiária nível superior, então decidi começar a faculdade. Rapidamente percebi que me encaixava na área, tive facilidade para me adaptar ao mundo jurídico. Meus amigos falam que tive “sorte” de descobrir mais rápido qual profissão escolher, mas ultimamente tenho a concepção que ser advogada é como um rótulo, é uma profissão que abrange muitas outras. Sendo assim, não sou apenas advogada, tenho diversas profissões em uma só.

Por que decidiu se especializar em cobrança de dívida e negociação de débitos?

Grande parte das pessoas e operadores do direito acredita que recuperação de crédito é uma área que não tem o que fazer, que é basicamente procurar patrimônio e se não encontrar o processo acaba. Meus dois últimos estágios na graduação eram focados em cobrança de dívidas, descobri que poderia ser mais interessante do que parece. Durante a faculdade, minha matéria favorita era trabalhista, todos me conheciam por ser a pessoa que amava a matéria. Porém quando atuei na prática, não me adaptei tão bem a rotina trabalhista e acabei me apaixonando pelo Direito Civil. Encontrei uma área que pudesse explorar teses e aplicar o conhecimento que adquiri nos estágios. Claro que tive que pedir perdão mentalmente ao meu antigo professor de Civil por jurar que não seria civilista (talvez um dia ele leia isso e descubra). Execuções são processos que demandam muitas pesquisas sobre patrimônio das pessoas, às vezes verificar redes sociais, é um verdadeiro trabalho de detetive e adoro isso.

Qual foi o caso mais inusitado que você já lidou dentro da sua especialidade?

Pode parecer uma área chata de lidar, mas garanto que uma vez ou outra aparece algo diferente. Nesses dois casos em específico que vou citar, eu não atuei, mas era de uma empresa que estagiei e dei uma bisbilhotada. Execução é o tipo de processo mais fácil de encontrar pessoas que fogem de um compromisso e fingem que nada aconteceu, mas quando percebem que vão ter bens penhorados, rapidamente oferecem algo para saldar a dívida. Em um desses casos, a pessoa ofereceu uma banheira de ofurô como pagamento. Bom, a empresa não aceitou a oferta, mas foi divertido ver o que as pessoas tentam fazer para se livrar de um processo. No segundo caso, a empresa requereu a penhora de um pássaro, claro que o devedor fez um acordo quando descobriu. O interessante é que o pássaro tinha um valor econômico porque participava de competições e tinha ganhado diversos prêmios. Fiquei com pena do bichinho quando ouvi a história, mas por sorte nada aconteceu a ele.

Quais as maiores dificuldades que você enfrenta hoje em sua carreira?

Acredito que o fato de ser jovem é uma dificuldade recorrente, muitas pessoas acabam pensando que não tenho conhecimento de como atuar e posso fazer algo errado. Ok, pode acontecer, mas advogados mais antigos de profissão também erram e não vemos ninguém falando sobre isso. Todos nós estamos aprendendo constantemente, ninguém nasce sabendo. Quando se é jovem na advocacia, você tem o dobro de trabalho para provar sua competência. Tenho experiência na área, pois desde os dezesseis anos me empenho no Direito, isso conta muito. Outra coisa que passei na pele e vejo outros colegas tendo dificuldades é o atual mercado de trabalho na área jurídica, muitos escritórios possuem um modelo em mente de funcionário que não condiz com a realidade. Vagas de advogado júnior com uma lista infinita de requisitos e um salário que não condiz com o trabalho que será exercido. Acabo batendo muito nessa tecla de diversidade e sobre discutir assuntos que ninguém fala porque é importante tratar sobre esses temas, é algo que enfrento dificuldades e outras pessoas também.

Quais autores da Comunidade Jusbrasil mais te inspiraram nesse ano?

Nunca pensei que escrever fosse se tornar uma paixão, não era empenhada quanto a isso na época da escola e nem durante a faculdade. Entretanto, quando eu comecei a notar o Jusbrasil como ferramenta de atualização, me deparei com algo que poderia ser um novo desafio e comecei a ler muitos artigos (muitos mesmo). Os primeiros a chamar minha atenção foram os artigos da Dra. Fátima Burégio e do Pedro Custódio, eles tem uma maneira muito própria e singular de escrever que torna a leitura leve e fluída, escrevem com paixão. Depois eu comecei a procurar outros autores para conhecer, acabei encontrando escritores muito bons, como a Dra. Pâmela, o Dr. Thiago Noronha, o Dr. Sergio Merola e outros que são muito bons no que fazem. São pessoas que quando escrevem não querem apenas passar informação, querem trazer conteúdo de uma forma nova para as pessoas. É muito legal fazer parte dessa comunidade, inclusive passei a conversar com outros escritores e “trocamos figurinhas” sobre a profissão. O que tem muito valor para quem é jovem advogada como eu, pois sempre recebo ótimos conselhos.

Se você pudesse atribuir um adjetivo a você mesma, qual seria? Por quê?

Sempre fui muito teimosa, mas isso acabou me tornando uma pessoa muito determinada. Recebi inúmeros nãos na vida (podem acreditar, foram muitos mesmo), as pessoas duvidaram da minha capacidade de me tornar advogada. Na época da faculdade cheguei a fazer o percurso para meus estágios andando porque a bolsa auxílio que recebia não dava para o mês todo, passava horas no transporte coletivo durante a semana para cumprir a rotina. Só que nada disso foi o suficiente para me parar, as pessoas pensavam que eu ia desistir, inclusive escutei algumas dizendo isso, mas eu nunca desisti. Sou fã de frases de personalidades históricas e uma do Steve Jobs é bem o que penso sobre ser determinada: “Às vezes, a vida vai te acertar um tijolo na cabeça. Não perca a fé”. Sofri uma chuva de tijolos na cabeça e sigo caminhando.

A produção de conteúdo jurídico já te trouxe alguma recompensa?

Muitas recompensas, algumas que eu nem esperava que pudessem acontecer. Escrever nunca foi um plano, me apaixonar por transmitir conteúdo de forma diferente também não era. Contudo, passei a ter mais reconhecimento como advogada, fiz novas amizades e parcerias, além de ter sido convidada para dar entrevista em um programa de televisão. Já no campo pessoal passei a expressar minhas opiniões de forma mais clara, minha família e amigos me apoiam muito mais (tenho uma prima muito coruja com isso, mesmo estando do outro lado do globo) e passei a ser mais confiante. Apesar de tudo isso ser ótimo, o mais gratificante foi que pude provar para as pessoas que não importa de onde você vem, sua classe social, sua idade ou o quanto as pessoas tentam te derrubar, objetivos são alcançáveis e desistir não pode estar nos planos.

27 Comentários

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Que maravilhoso conhecer um pouco mais desta autora incrível, minha nova amiga que fiz este ano, com muito orgulho!

Só falta a gente marcar aquele cafezinho pra se conhecer pessoalmente! haha

E que privilégio ser citada nesta entrevista! Obrigada Dra.

Saiba que desejo todo sucesso do mundo pra ti! continuar lendo

Fico feliz por isso Dra., nunca pensei que Jusbrasil pudesse me proporcionar uma amizade como a sua.

Agora o café realmente temos que marcar hahaha continuar lendo

@aliceaquino Obrigada por topar! Gostei muito de saber da sua entrada inusitada no direito e da sua determinação para alcançar o que quer. Você é uma batalhadora, não deixe ninguém atrapalhar sua trilha! continuar lendo

Eu que tenho que agradecer Natália, o Jusbrasil me acolheu enquanto outros lugares não. Isso vale muito para mim e para milhares de profissionais do país. continuar lendo

Muito bom, Dra.!

Sou jovem advogada e me orgulho disso, afinal, o que é ser uma jovem advogada?

Para mim, ser uma jovem advogada é sinônimo se sede de justiça, de conhecimento. Os demais que usam disso para nos "diminuir" perante a sociedade, mas creio eu, e quero acreditar, que isso esteja ligado ao medo que o novo trás.

Friso ainda, que sou jovem advogada por ter recebido minha carteira a pouco tempo, mas na prática não sou tão "jovem" assim, fiz estágios em diversas áreas, estou em constante atualização.

Por fim, não se deixem abater, jovens advogados, busquem sempre o conhecimento e se tornem tão veteranos quanto já são, afinam, 5 anos (ou mais) de faculdade não é experiência! continuar lendo

Todos somos jovens em aprendizado, idade se torna apenas um número. Fico feliz que outros jovens advogados não percam a esperança de continuar. Sucesso Dra.! continuar lendo

Muito bem Alice! Siga em frente. É por aí. continuar lendo

Obrigada Dr.! continuar lendo