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25 de Fevereiro de 2020

[Debate] Curso de direito EAD: quais os pontos positivos e negativos de uma possível liberação?

Comunidade Jusbrasil
Publicado por Comunidade Jusbrasil
há 4 meses

Discussões recentes no Ministério da Educação, liderado pelo ministro da educação Abraham Weintraub, acenderam um debate sobre a possibilidade da liberação de cursos de direito à distância. O MEC encaminhou o pedido da Secretaria de Regulação do Ensino Superior (Seres) ao INEP para estudar a viabilidade do projeto.

Em matéria do UOL Educação:

Caso seja favorável, o relatório é enviado novamente à Seres, responsável por dar encaminhamento à autorização do MEC para a abertura do curso. Fica a cargo do CNE (Conselho Nacional de Educação), no entanto, dar o parecer final sobre a admissibilidade do curso (...)

A OAB tem espaço para manifestação, mas apenas como um parecer de consulta, e já houve manifesta preocupação com tal possibilidade. No Ranking Universitário Folha de 2019, a realidade dos cursos de direito é a seguinte:

Apenas 51 escolas que oferecem curso de direito, entre as quase mil do Brasil, conseguem aprovar mais de 50% de seus alunos no exame da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil).

Por outro lado, estudos já apontam que atualmente 17% dos estudantes em ensino superior estão matriculados em cursos EAD, e o crescimento desde 2003 foi impressionante. Definitivamente o crescente uso de internet e surgimento de novas tecnologias está impactando todos os aspectos sociais, incluindo a educação.

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Vamos ao debate!

Diante dessa possibilidade e utilizando argumentos lógicos, pensemos:

Quais os possíveis “danos” da liberação de cursos de direito EAD?

17 Comentários

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Saudações

Eu trabalho como professor/tutor em cursos de EaD desde a sua aprovação e considero o curso de Direito um ótimo curso para a EaD. Afinal serão exigidas leituras e mais leituras, e o laboratório poderia ser nos encontros presenciais de avaliação.
Discutir qualidade, comparar com cursos presenciais acho desnecessário, uma vez que o aluno de EaD é diferente, precisa de ter organização, motivação pela falta da presencialidade dos professores.
Podemos ter qualidade nas duas modalidades. continuar lendo

Ponto interessante, não tinha pensado nisso. São produtos diferentes para consumidores diferentes. continuar lendo

Eu trabalho com consumidores de cursos EAD. Embora não se possa generalizar, o aluno do EAD é aquele que não dispõe de muito tempo. Dificilmente irão fazer as leituras e mais leituras. Eles querem concluir o curso com o menor trabalho possível.

Se em cursos presenciais o aluno pode concluí-lo sem ter lido um livro de doutrina, imagina em EAD.

O aluno de EAD é realmente diferente; tem menos tempo e menos "saco". continuar lendo

Não sou a favor. Direito é um curso extremamente sério que não está sendo devidamente monitorado na forma presencial, imagine se será na forma ead. continuar lendo

Penso que quanto à fiscalização, até seria mais viável em cursos EAD.
O problema mesmo é a qualidade do aprendizado.
Muito embora um curso EAD seja projetado para passar toda a carga de conhecimento de um curso presencial, o fator da "experiência presencial" em si, faz uma incrível diferença.
A possibilidade de interação, de tato com a realidade jurídica acadêmica já é um aprendizado, além do próprio conhecimento.
As inúmeras conversações com colegas, questionamentos aos professores, as peregrinações congênitas da vida estudantil (sair do estágio e ir pra faculdade, comer lanche todo dia, etc), sentar no chão da biblioteca e ler as bibliografias..
São frações de um experiência maior que é a imersão no mundo acadêmico, mas que fazem parte do mesmo pacote.
EAD não tem isso.
Acredito que, por mais pulverizar e pouco agregar ao ensino de Direito, a proposta do MEC não deve ser aprovada. continuar lendo

@frednoel37853 Ainda não tenho opinião fechada sobre o tema, mas concordo absolutamente que a experiência prática é essencial, e olha que nem mesmo os cursos presenciais lhe ensinam, na prática, como ser advogado, por exemplo, aí entra o estágio. Enfim, acredito que há muito o que se pensar sobre o assunto ainda. continuar lendo

Já fiz curso EAD e já fiz curso presencial. Mas o curso EAD que fiz eu já tinha o conhecimento prático e só queria o diploma.

Penso que EAD exige mais dedicação do aluno e a probabilidade de formar gente que não tem capacidade é maior que o presencial.

Hoje temos uma banalização da pós-graduação. Houve época em que pós-graduação se olhava com bons olhos, mas hoje em dia "pós" é algo tão comum quanto ter completado o ensino fundamental.

Que é o mercado que seleciona, isso não tenho dúvidas. Mas a abertura de EAD para direito vai apenas banalizar o curso, mais do que já está.

O fato é que o curso presencial de Direito em faculdades presenciais pode ser tão ruim quanto um curso EAD. Mas creio que não há como fugir da mercantilização pura da educação.

O problema pode não estar exatamente no EAD, mas em quem comercializa esse EAD e em parte do alunado que quer apenas cumprir a carga horária de qualquer maneira somente para ter o diploma ao final do curso. continuar lendo

Sou a favor que parte das matérias ministradas no curso sejam na modalidade EAD, mas não o curso na sua totalidade, pois 100% do curso EAD tiraria do aluno a oportunidade de interagir com outros alunos, com os professores e os trabalhos em classe são importantíssimos, para a formação do bacharel em Direito. E existem disciplinas que exigem muito mais dos alunos e professores e entendo que ficariam prejudicadas em um formato à distância. O aluno precisa se colocar e falar na frente dos outros colegas, pois é isso que se espera de um profissional de Direito, que tenha uma boa oratória e saiba debater e argumentar com outras pessoas, coisa que a maioria dos estudantes não sabe fazer e nem mesmo alguns advogados. Tenho o Direito como segunda graduação e estudei em faculdade particular, e posso afirmar como os alunos em sua maioria têm uma formação sofrível, muitos mal sabem escrever um parágrafo sem cometer erros grosseiros e a falta de interesse e dedicação são o que predominam nas aulas, sendo que um curso 100% EAD só tornaria tudo pior e mais banalizado. continuar lendo